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09.07.2018 - 14h55 Por IFSC/USP
 
Reconhecido novo mineral descoberto na Chapada Diamantina (BA)
 
 
Reconhecido novo mineral descoberto na Chapada Diamantina (BA)
Na foto é exibida uma drusa onde se pode observar, além da parisita-La, outros minerais, como, por exemplo, monazita-(La), bastnaesita-(La) e rabdofânio- (La).
 

A descoberta de um novo mineral no Brasil, no Município de Novo Horizonte (BA), foi finalmente reconhecida.

Com alguma frequência, as pessoas gostam de utilizar o termo “década perdida” para descrever um período difícil da vida, sendo usual enfatizar a economia ou determinada política de um país. No entanto, é bastante gratificante quando se pode dizer o oposto, sublinhando uma década de conquistas.

A descoberta de um novo mineral no Brasil, designado parisita-(La) (CaLa2(CO3)3F2), foi finalmente reconhecida após decorridos cerca de dez anos desde a aquisição das amostras para estudo. O artigo que valida a descoberta desse novo mineral, um fluorcarbonato encontrado no Brasil e que contém em sua composição os elementos “terras raras” (neste caso lantânio predominantemente), cujas aplicações vão desde a fabricação de componentes dos “smartphones” até o processo de refino de petróleo para a produção de gasolina, foi publicado este ano em uma das revistas científicas mais importantes do mundo – Mineralogical Magazine -, editada pela Cambridge University Press, no Reino Unido, que aborda diversos campos da pesquisa, como, por exemplo, os resultados obtidos nas áreas de cristalografia e mineralogia.

Financiado pela FAPESP, CNPq E FINEP, este trabalho de pesquisa é fruto da colaboração de pesquisadores oriundos de universidades de três países: Brasil (Instituto de Física de São Carlos/USP, Instituto de Geociências/USP, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Estados Unidos (University of Arizona); e Rússia (Russian Academy of Sciences, Moscow State University).

           

O Dr. Marcelo Barbosa de Andrade, pesquisador do IFSC/USP e simultaneamente Pesquisador Associado da Universidade do Arizona, é um dos membros que integram o citado grupo de pesquisa e salienta que antes de se avaliar o valor econômico de um mineral é importante investigar as rochas onde ele se localiza, sua composição química, estrutura cristalina e, consequentemente, suas propriedades físicas e químicas. Segundo o pesquisador, essas informações são fundamentais na escolha das estratégias de extração e beneficiamento que serão utilizadas pelas empresas do setor de mineração, até porque “(…) é bom não depender exclusivamente das exportações chinesas, que hoje são responsáveis por mais de 90% das exportações mundiais de elementos terras raras”.

A história da descoberta da “parisita” começa em um dos lugares mais bonitos e surpreendentes da Colômbia – Muzo -, a cerca de 100 km de Bogotá, também conhecida por “Terra das Esmeraldas”. Essas pedras preciosas colombianas sempre fascinaram as cortes europeias desde o século XVI, com a chegada dos espanhóis às Américas.

Já no Século XIX, foi exatamente em uma das minas de Muzo que o mineral “parisita”foi encontrado pela primeira vez. Infelizmente, na época, não foi possível caracterizar completamente esse mineral devido às limitações técnicas. O nome “parisita” foi dado em homenagem à J.J. Paris, responsável por uma mina de esmeraldas localizada na região de Muzo, tendo o mineral sido descrito em 1845, pelo professor Bunsen, sob o título “Ueber den Parisit, ein neues Cerfossil”, na revista Annalen der Chemie und Pharmacie. “A espécie mineral encontrada na Colômbia, hoje é oficialmente aceita pela Associação Mineralógica Internacional como sendo parisita-(Ce). Este mineral difere da espécie brasileira por ter Ce como o elemento terra-rara predominante. Somente em 1953, Donnay publicou os primeiros estudos por difração de raios X da estrutura cristalina da “parisita” na revista American Mineralogist. Os cristais são piramidais”.

                  
A região do município de Novo Horizonte, Bahia, é famosa hoje pela produção e quartzo rutilado e é onde foi encontrada a parisita-La.

Marcelo Barbosa recorda como foi a primeira vez que se deparou com o novo mineral: “Foi através da investigação de uma amostra de mão. Imagine o desafio! Como discernir a região da amostra onde encontrar a espécie mineral? Como analisá-la e preservá-la para estudos posteriores? O pesquisador Luiz A. D. Menezes Filho foi o precursor desse trabalho. Nós nos encontramos na cidade de Tucson, no campus da Universidade do Arizona, e investigamos juntos muitos minerais que ele havia trazido do Brasil desde o primeiro dia. Engenheiro de Minas formado pela Escola Politécnica da USP e homenageado com o nome de um mineral, menezesita, Luiz Menezes era um grande investigador de minerais, fazia doutorado com o Dr. Mario Chaves na UFMG e era co-orientado pelo Dr. Robert Downs, da Universidade do Arizona. Luiz havia se deparado com o lote que continha o novo mineral em 2009, numa das melhores feiras de minerais do Brasil, na cidade de Teófilo Otoni (MG), lote esse oriundo da cidade de Novo Horizonte (BA), em plena área da Chapada Diamantina, onde se pode encontrar o “Cabelo de Vênus” – um quartzo com inclusões douradas em forma de agulhas, que nada mais são do que rutilo. Quando fui analisar as amostras, a composição química já havia sido investigada preliminarmente com microscópio eletrônico de varredura na UFMG e por difração de raios X, por pó, pelo Dr. Daniel Atencio, do IGc-USP. Na Universidade do Arizona realizei outras análises, utilizando Espectroscopia Raman e microssonda eletrônica. Infelizmente, Luiz Menezes falece em 2014, deixando-nos a missão de continuar seu trabalho de caracterização do novo mineral. O Dr. Ricardo Scholz, da UFOP, eu e o Dr. Daniel Atencio, recebemos mais amostras do novo mineral, que se encontravam em poder do irmão e da esposa de Luiz Menezes. Ao final, a amostra-tipo do novo mineral foi registrada e preservada no Museu de Geociências da USP e no Arizona Mineral Museum”, comenta Marcelo.

A importância das “terras raras”

Marcelo Barbosa sublinha que os elementos “terras raras” são estratégicos para a sociedade do século XXI devido a sua utilização em dispositivos de alta tecnologia, como ímãs permanentes e turbinas eólicas. “Inclusive, eu e o Dr. Daniel Atencio, do Instituto de Geociências, fazemos parte de um projeto Temático designado “SOS RARE” financiado pela FAPESP e pelo Reino Unido sobre o tema.



O grupo das terras raras é formado por 17 elementos químicos que incluem o ítrio, o escândio, o lantânio e o lutécio, entre outros, nunca são encontrados de forma pura na natureza e sim em minerais havendo, por isso, um alto custo para extraí-los”.

A aprovação de um novo mineral requer a elaboração de uma proposta que deve ser submetida a Associação Mineralógica Internacional (IMA) e aprovada por 2/3 dos membros da Comissão de Novos Minerais, Nomenclatura e Classificação (CNMNC). Descrição da ocorrência, composição química, dados cristalográficos, espectro característico e propriedades físicas são apenas alguns dos itens que são analisados antes de qualquer aprovação e publicação. Daí que o reconhecimento oficial da parisita-(La) seja extremamente importante para o nosso país, atendendo a que o Brasil possui reduzido número de minerais nacionais aprovados, 74, oficialmente pela Associação Mineralógica Internacional e precisa explorar novas fronteiras de ocorrências de minerais terras raras.

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